Kelmti Horra: quando uma canção carrega a força da mudança

Extraído de: bagarai.musica   Abril 12, 2012

Entre o final de 2010 e início de 2011 uma canção ecoou nas rádios, na televisão e principalmente entre o povo da Tunísia, ansiosos por liberdade e de tirar do poder o regime opressor do presidente Zine El Abidine Ben Ali, que ocupava o cargo desde 1987. A doce melodia que se tornou hino da Revolução de Jasmim (Primavera Árabe) chamava-se "Kelmti Horra" (minha palavra é livre), era cantada pela jovem tunisiana Emel Mathlouthi. "Kelmti Horra" tornou-se a trilha sonora das pessoas, causando a queda de Ben Ali.

Emel Mathlouthi, como uma Joan Baez moderna, que lutou pelos direitos Civis nos EUA, cantou com alma e coração para uma multidão emocionada, dando-lhes força e coragem (veja aqui). "Eu não havia saído para cantar, eu estava apenas em meio aos protestos na Tunísia e estar com os meus compatriotas, exigindo liberdade contra o regime injusto e tirânico de Ben Ali." Até que uma amiga pegou em sua mão e pediu para ela cantar "Kelmti Horra", uma canção que era conhecida em alguns circuitos underground da sua cidade. E logo se tornou o hino inspirador da revolução em seu país.

A partir de então ela se viu como porta-voz do movimento e seu perfil no Facebook chegou a ter 30.000 fãs. Lá, ela postava vídeos, criticava a situação política do regime de Ben Ali e conversava com os jovens de seu país. Mas as autoridades logo fecharam seu perfil e suas músicas foram cortadas de várias estações de rádio. Foi aí que ela percebeu que a coisa era séria e o efeito que sua música causava. Decidiu apoiar o movimento de libertação e dedicou seu concerto em Stax (segunda maior cidade e centro econômico da Tunísia) à revolução.

Atualmente Mathlouthi, que fala cinco idiomas, vive na França onde lançou seu álbum "Kelmti Horrar" (2012) e sairá em turnê pelo país. Apesar de ser popular em seu país natal (Tunísia) ela não é muito conhecida nos países árabes, apesar de apresentações no Egito e Líbia. Sua música carrega uma gama de influências que vai além da música tradicional árabe -flamengo, folk, rock, música celta fado e ritmos latinos também se fazem presente.

Na contracapa do álbum "Kelmti Horrar", Emel escreveu: "Este álbum é a história da Tunísia, dos anos de sombras, através dos olhos de uma estudante, através da minha experiência de jovem rebelde e indisciplinada, através dos meus anos de combate artístico e ideológico, através das minhas lágrimas, de meu sofrimento, meu amor à liberdade. Dedico a todos aqueles que morreram por nós para que possamos viver em uma Tunísia livre. A estrada é longa, mas a cada dia amanhece um novo sol e novas esperanças. Nós somos essas esperanças".

Autor: Vinculado ao bagarai.musica


 
 
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